domingo, 21 de novembro de 2010

Nostalgia.

Pensamentos jorrando, quase tirando-a de sua rota comum, fazendo-a ir longe, além das barreiras impostas.
Notava que, ultimamente, não era a primeira vez do ocorrido, e, isso tudo, sem necessitar de alucinógenos ou derivados, apenas um pingo de inspiração.
Sabia que não fazia sentido, não depois de tanto tempo, não depois de tudo que aconteceu, mas, mesmo assim, ela voltou, simplesmente por querer. - Temos esta mania de cutucar aonde mais dói, para ver até onde suportamos, não é?
Bem, mas, acho melhor começar do "início".

(...) Esnobe, arrogante, e extremamente sedutor.
Sentou-se na mesa mais ao fundo, pediu duas doses de conhaque e acendeu seu cigarro.
A primeira constatação era de que estava lá para um encontro, algo casual, porém, passou-se um tempo, e, nada;
Durante este tempo, ela não conseguiu desviar seus olhos nem sequer por um instante;
Ela também estava lá, sozinha, algo atípico. - Arrisco cogitar então, em algo como o destino, astros, conspirações ou qualquer força maior. Talvez.
Mesmo não demonstrando, ele havia notado a fissura e o desejo emitidos pelo olhar da garota. Resolveu ir até lá.
Ela ficou ofegante, porém, conseguiu disfarçar relativamente bem. - Expert em reprimir emoções - Até naquele momento.
Ele sentou sem pedir permissão. Ela enfim desviou o olhar. Pela primeira vez, ele sorriu - Sorriso de canto, fazendo com que suas linhas se acentuassem. - Ela suspirou e sorriu também, ato falho!
__ Oi? - Disse ela, e, obteve como resposta, o silêncio.
Um tempo se passou, ele permaneceu sentado, suas mãos apoiando a cabeça levemente inclinada para baixo. O foco dela voltou a grudar nele.
__ Peço desculpas, mas, não é comum pessoas assim, por aqui (...) Está tudo bem? - Tentou novamente.
Os músculos dele enrijeceram. Ela se calou. O silêncio instalou-se. Ela ameaçou ir embora.
__ Já nos vimos antes? - Ele perguntou, com uma voz rouca e grave. Seu olhar era penetrante e intimidador.
Ela gostou.
__ Não. Com certeza não.
__ Como tens tanta certeza?
__ Eu lembraria, lhe garanto.
__ Então, eu... Eu não entendo.
__ Em outra vida, talvez.
__ Acredita nessas tolices?
__ Me diga o que não é tolo, perante a tantas conclusões. Se não lhe pareço estranha, e não nos conhecemos, então...
__ Então eu me enganei, apenas te confundi. Nada mais. - Levantou-se bruscamente, e desapareceu na chuva que caia sem cessar.
Passaram-se uns dias, tudo deveria estar normal, mas, ambos estavam voltando àquela noite. Ela voltou ao bar. Ele também. Mas, se desencontraram. Ela deixou seu telefone no balcão, descreveu-o e mandou entregar-lhe. Assim foi feito. Porém, ele não ligou. Ela o guardou em sua mente como uma projeção perfeita, e não mais do que isso.
O estranho, é que depois de meses: O retorno!
__ Alô?
__ Olá, desculpe ligar só agora, sou eu, o cara do bar, o de outra vida, talvez.
__ Você? - perguntou indiferente. - Bem, como está? Por que ligou?
__ Pensei que, talvez pudéssemos marcar algo para que eu pudesse me desculpar pela grosseria da outra vez e(...)
__ Não acha que já está tarde?
__ Tudo bem, podemos nos ver amanhã, se preferir.
__ Não me compreendeu; Olha, eu não sei quem é você, só sei que, durante todo este tempo, sofri para esquecer teu rosto, tentei saber mais, ir atrás, só obtive o silêncio. Acabou, mesmo sem começar, mas, acabou.
Este episódio repetira por algumas tantas outras vezes, até ambos se dispersarem.
Embora não houve nada mais que poucas palavras e inúmeros desencontros, algo maior tentou juntá-los.
Não sei se me compreendem com isto tudo, mas, o que eu quero realmente dizer é que tudo o que vem ocorrendo até hoje e fazendo com que eu surte cada vez mais, é a forma como as histórias tendem a cair sempre nisto.
Perdi inúmeras chances, mas, nenhuma que fizesse com que eu me perdesse de mim mesma, como agora. Você veio até mim, e até eu notar que eu também queria ir até você, já era tarde, tarde demais! Mesmo que os sentimentos continuem, compreendo tais atitudes...
Só não me perdôo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário